19 de jan. de 2014

Olinda - Boa, Bonita e Barata

Com apenas R$ 50 é possível passar um dia inteiro nas ladeiras da Cidade Alta. Dá para comer, beber e turistar.


A Igreja da Sé vista da parte de trás do Mercado da Ribeira.Todas as fotos desta matéria são de Camila Almeida/ DP/ D.A Press
A Igreja da Sé vista da parte de trás do Mercado da Ribeira.Todas as fotos desta matéria são de Camila Almeida/ DP/ D.A Press

A repórter Camila Almeida recebeu como missão fazer um roteiro para aproveitar as belezas de Olinda gastando apenas R$50. Ela pagou transporte, tapioca, caipirinha, camiseta de souvenir, entrada em museu, licor, sorvete, cerveja e tira gosto. Ainda tomou um cafézinho e sobraram 25 centavos. Confira abaxio o roteiro.


Orçamento do dia: R$ 50 para passear, comer e beber em Olinda. Uma dica é usar sapatos confortáveis, de preferência tênis, para fazer tudo a pé
Orçamento do dia: R$ 50 para passear, comer e beber em Olinda. Uma dica é usar sapatos confortáveis, de preferência tênis, para fazer tudo a pé

Como ir?

A maneira mais barata de chegar à Olinda é de ônibus. São várias opções de linhas que passam pelas principais vias do centro do Recife, como as avenidas Agamenon Magalhães, Cruz Cabugá e Conde da Boa Vista. Para chegar lá, peguei o ônibus Amparo em frente ao Parque 13 de maio.  A passagem custa R$ 2,15 e a viagem dura cerca de 20 minutos com o trânsito livre. Desci em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa, no Varadouro, para começar o roteiro subindo pela prefeitura da cidade. Chegando ao Sítio Histórico, é bom deixar toda a preguiça de lado: é impossível aproveitar bem o passeio se não for a pé. O legal é curtir o clima de cada rua, descobrir detalhes na arquitetura das casas e conversar com os moradores, que também adoram curtir as ladeiras. Por isso, sapatos confortáveis, uma garrafinha de água na bolsa e disposição para caminhar com tranquilidade são fundamentais. 

Gastei R$ 4,30 para ir e voltar de Olinda. 

PS: Para quem mora nas Zonas Sul, Norte e Oeste do Recife, as opções são as linhas 910 (Rio Doce/Piedade), 930 (Rio Doce/Dois Irmãos) e 920 (Rio Doce/CDU). A passagem é um pouco mais cara: R$ 3,35 cada trecho.


À direita, a fachada do mosteiro de São Bento. No detalhe, à esquerda, a capela-mor do mosteiro
À direita, a fachada do mosteiro de São Bento. No detalhe, à esquerda, a capela-mor do mosteiro

Mosteiro de São Bento

A primeira parada foi o Mosteiro de São Bento, construído em 1586, logo no início da colonização portuguesa no Brasil, e que bem fica na entrada do Sítio Histórico. No século 17, o mosteiro foi destruído nos conflitos com os holandeses e teve sua reconstrução concluída apenas 100 anos depois, já no século 18, ganhando traços barrocos. Era um centro de formação intelectual tão importante que abrigou a primeira Escola de Direito do Brasil, fundada em 1811. Basta circular pela igreja para perceber a riqueza de detalhes. O forro é todo ornado com motivos florais, o altar-mor tem influência barroca, neoclássica e rococó e sua madeira é toda revestida em ouro. A sacristia é a mais rica das igrejas de Olinda, repleta de talhas douradas, espelhos de cristais e painéis ilustrando a vida de São Bento, mas não consegui entrar, porque o frei responsável pela visitação estava viajando. O mosteiro é repleto de guias turísticos credenciados pela prefeitura, que cobram taxa de R$ 25 (garantido em tabela, o que evita abusos aos turistas) para fazer um tour histórico pela cidade alta. Não contratei o serviço.

A entrada na igreja é grátis

Endereço: Rua São Bento, s/n
Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 11h45 e das 14h às 17h. Aos domingos, às 10h, há missa com canto gregoriano.
Contato: 3429-3288


Mamulengos expostos no Espaço Tiridá e o terraço do Mercado da Ribeira
Mamulengos expostos no Espaço Tiridá e o terraço do Mercado da Ribeira

Espaço Tiridá

Os mamulengos, bonecos de “mão mole”, compõem o acervo inteiro do museu, único no país a se dedicar exclusivamente a eles. O espaço guarda mais de 1.500 mamulengos, sendo alguns do século 18. Cada um dos personagens nos leva a um universo cênico diferente, fazendo imaginar que peças eles estrelaram. Tiridá é o nome de um boneco professor, criado pelo Mestre Ginu, e simboliza a sabedoria popular. No espaço, estão presentes os trabalhos de diversos mestres bonequeiros da Zona da Mata pernambucana.

Gastei R$ 2, preço da entrada no museu. 

Endereço: Rua São Bento, 344
Horário de visitação: de terça a domingo, das 9h às 17h.
Contato: 3429-6214

Mercado da Ribeira
Construído no final do século 17, o Mercado da Ribeira funcionou como antigo mercado de carne, farinha, peixes e escravos. O casarão é característico do Brasil colônia, com piso em tijolos e terraços com colunas. O telhado conta com três camadas de telhas (eira, beira e tribeira), o que na época era sinônimo de poder e riqueza. O mercado passou por uma restauração no estilo original e hoje abre espaço para lojas de artesanato. Podem ser encontrados suvenires, peças de barro, renda, couro e palha e as típicas máscaras carnavalescas de papel machê. 

A entrada no mercado é grátis.
Endereço: Rua Bernardo Vieira de Melo, s/n
Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 18h30


Mobília dos séculos 17, 18 e 19 fica exposta no Museu Regional de Olinda. Expresso da Estação Quatro Cantos custa R$ 2,95
Mobília dos séculos 17, 18 e 19 fica exposta no Museu Regional de Olinda. Expresso da Estação Quatro Cantos custa R$ 2,95

Estação Quatro Cantos

Ao final da rua, desembocamos nos Quatro Cantos de Olinda, encruzilhada onde se reúne a boemia da Cidade Alta. Na Rua Prudente de Morais, famosa pela abundância de ateliês e produções artísticas, um café recebe os turistas e moradores que desejam um pouco de tranquilidade. O ambiente silencioso e aconchegante oferece wi-fi gratuito e um cardápio recheado de opções da bebida quente ou gelada. O espresso mais barato da Cidade Alta é produzido com o premiado café Orfeu, de Minas Gerais. As xícaras personalizadas estão à venda e, às sextas-feiras e aos sábados, os clientes podem curtir bossa nova e chorinho à noite.

Gastei R$ 2,95 no café espresso.
Endereço: Rua Prudente de Morais, 440
Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 14h às 22h; domingo, das 15h às 22h
Contato: 3249-7575
Museu Regional de Olinda - Mureo
Descendo a Rua do Amparo, o Mureo quase passa despercebido em meio a tantas fachadas interessantes. Por sorte, estava aberto à visitação, convidando quem estivesse pela rua para conhecer o espaço. O casarão foi construído em 1745, era residência episcopal e, desde 1934 funciona como museu. Lá, é possível conhecer um pouco melhor os costumes das famílias dos séculos 17, 18 e 19, a partir da observação da mobília, das porcelanas e dos objetos decorativos. 

A visitação foi grátis, mas, normalmente, a entrada no museu custa R$ 2.
Endereço: Rua do Amparo, 128
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 9h às 17h; fins de semana, das 14h às 17h 
Contato: 3184-3159


A artista plástica Iza do Amparo no ateliê dela. À direita, as camisetas que custam R$15
A artista plástica Iza do Amparo no ateliê dela. À direita, as camisetas que custam R$15

Ateliê de Iza do Amparo

Quase em frente ao Mureo, uma casa verde-água se destaca pelas paredes riscadas. Ali, moram Iza do Amparo e seus dois filhos, Catarina e Paulo, todos artistas. Na ampla sala de entrada, peças dos três ficam à mostra, algumas delas ainda incompletas. O ateliê é casa, loja e espaço de produção. Iza é baiana, mas veio morar em Pernambuco em 1968, em plena ditadura militar. Se instalou em Olinda há 33 anos, tinha o sonho de morar na Cidade Alta, na casa onde vive até hoje. “Eu sabia que esse bairro não iria ser tomado por prédios e viadutos. E aqui já era uma comunidade muito unida, cheia de pessoas diferentes e com interesses em comum”, lembra, entre um e outro gole na xícara de café que serviu na mesa da cozinha.

Gastei R$ 15 em uma das camisetas estampadas pela artista.

Endereço: Rua do Amparo, 159
Horário de funcionamento: sempre aberto, com horários não especificados.
Contato: 3429-2357


Bola de sorvete de acerola com calda de caramelo na sorveteria Saborear-te custou R$ 1,50. Ao lado, intervenção artística em árvore, na Ladeira da Misericórdia
Bola de sorvete de acerola com calda de caramelo na sorveteria Saborear-te custou R$ 1,50. Ao lado, intervenção artística em árvore, na Ladeira da Misericórdia

Sorveteria Saborear-te

Também no Amparo, uma sorveteria funciona na antiga casa onde o artista Bajado, dedicado a Olinda, costumava trabalhar. Os sorvetes são de fabricação própria, o que garante um precinho bem em conta. São 68 sabores diferentes (no freezer da loja cabem apenas 42), produzidos de acordo com as frutas da época, sem gorduras e sem corantes. A sorveteria fornece para os principais restaurantes do Sítio Histórico como Oficina do Sabor e Beijupirá.

Gastei R$ 1,50 no sorvete de uma bola (bem servida) sabor acerola, com calda de caramelo. Delicioso!
Endereço: Rua do Amparo, 186
Horário de Funcionamento: todos os dias, das 12h às 20h
Contato: 3435-4145

Ladeira da Misericórdia
Para chegar ao Alto da Sé, saindo da Rua do Amparo, subi a Ladeira da Misericórdia, a mais íngreme da cidade alta. Vale a pena o esforço, que é minimizado pelas escadinhas construídas nas calçadas. A vista do topo da ladeira é linda e encontrei um caule de árvore cheio de intervenções pelo caminho. 


No Alto da Sé a tapioca é indispensável. A mais popular, de queijo e coco, tem preço tabelado em R$ 5
No Alto da Sé a tapioca é indispensável. A mais popular, de queijo e coco, tem preço tabelado em R$ 5

Alto da Sé

No ponto mais alto da cidade, não é preciso pagar pelo que se tem de melhor: a vista. Recife, Olinda, juntas no mesmo cenário, se deixam abraçar pelo mar. O espaço foi aproveitado para a construção de alguns mirantes, para que os turistas possam contemplar o visual. Do alto da caixa d’água, a vista é panorâmica e o acesso é gratuito, pelo elevador. Funciona de domingo a domingo, das 9h às 12h e das 13h às 17h. Mas para quem quer passar um tempo tranquilo, só observando a natureza, não recomendo a subida. A fila é grande no mês de janeiro e o tempo que se passa lá em cima é limitado. Da varanda do Mercado de Artesanato ou do gramado da Igreja da Sé, a vista também é muito bonita e é possível apreciá-la por quanto tempo quiser. Na praça, se instalou uma feira de artesanato ao redor da igreja, onde é possível comprar peças de artesãos olindenses e suvenires, e uma praça de alimentação, onde a pedida é uma só: tapioca. Há várias barracas produzindo o beiju de macaxeira com recheios variados, mas todas cobram preço tabelado pela mais tradicional, de queijo coalho com coco.

Gastei R$ 5 para comer a tapioca de coco com queijo coalho.

Endereço: Praça da Sé, na Rua Bispo Coutinho, s/n


Do restaurante Olinda Art & Grill, no Alto da Sé, bela vista para o pôr do sol. A caipirinha custa R$ 7
Do restaurante Olinda Art & Grill, no Alto da Sé, bela vista para o pôr do sol. A caipirinha custa R$ 7

Olinda Art & Grill

Para contemplar o pôr-do-sol, escolhi o restaurante Olinda Art & Grill. Um janelão oferece uma vista maravilhosa aos clientes que quiserem aproveitar o fim da tarde. No cardápio, refeições com toques bem regionais, com carne de sol, charque e queijo coalho. Pedi apenas um drinque, depois de ter comido a tapioca. 
Gastei R$ 7 na caipirinha
Endereço: Rua Bispo Coutinho, 35, Alto da Sé
Horário de Funcionamento: de terça a domingo, das 12h às 23
Contato: 3429-4339


A Bodega do Véio vende de cachaça a produto de limpeza. À noite se torna um reduto de boêmios
A Bodega do Véio vende de cachaça a produto de limpeza. À noite se torna um reduto de boêmios

Bodega do Véio

Às quintas-feiras, a noite na Bodega do Véio é imbatível. O bar fica lotado de gente, que se espreme no balcão para conseguir fazer um pedido. Do lado de fora, um trio sanfoneiro anima a clientela, que fica em pé mesmo, tomando a rua. Durante o dia, quem visita a Bodega nem imagina o estardalhaço da noite. Em meio às garrafas de cachaça e cerveja, ficam expostos produtos de limpeza, higiene pessoal e mantimentos. O bar-mercearia é a melhor opção para uma cervejinha e um petisco. Cardápio não existe. As opções de lanches, como o sanduíche de salame e queijo do reino, e bebidas são ditadas pelos atendentes e pelo proprietário, todos sempre bem-humorados. 

Gastei R$ 5 para beber uma cerveja de garrafa long neck e R$ 3 para comer a empada de bacalhau.
Rua do Amparo, 212
Horário de funcionamento: 9h/23h (fecha dom.; dez. a fev. abre dom. até 20h)
Contato: 3429-0185


A Casa do Cachorro Preto abre espaço para exposições e shows de artistas locais. Na Licoteria Noctívagos, o forte são os licores de frutas tropicais, como este de cajá (R$ 4)
A Casa do Cachorro Preto abre espaço para exposições e shows de artistas locais. Na Licoteria Noctívagos, o forte são os licores de frutas tropicais, como este de cajá (R$ 4)

Casa do Cachorro Preto

Descendo pela rua 13 de maio, próximo ao Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC-PE), fica a Casa do Cachorro Preto, um espaço que ferve de cultura local, abrindo caminho para jovens artistas da cena recifense. O espaço interno da casa é aproveitado para exposições e, ao fundo, abriga uma lojinha para venda de quadros, imãs, camisetas, livros e outros objetos. No quintal, são frequentes as festas com shows de bandas locais, geralmente nos finais de tarde de domingo. 

A visitação das exposições é grátis.
Endereço: Rua 13 de maio, 99
Horário de visitação: de quinta a domingo, das 16h às 21h
Contato: 3493-2443

Licoteria Noctívagos
Para encerrar a noite, fui até a licoteria, mais um ponto de encontro dos boêmios olindenses, para degustar um dos licores produzidos por eles. São dezenas de sabores, a maioria de frutas típicas do Nordeste. A ideia de abrir o bar foi de Fernando Guimarães, no início dos anos 2000, para dar continuidade ao sonho da avó de abrir uma fábrica de licores. A receita de família, no início, era comercializada em garrafinhas pelas ruas. Alguns dos sabores que fazem mais sucesso são: café, cacau, cajá, tangerina e jenipapo.

Gastei R$ 4 no licor de cajá. É uma refrescante, não muito doce e, assim como todos os licores, é servido gelado. 

Endereço: Rua 13 de maio, 3, Carmo
Horário de funcionamento: de terça à quinta, das 16h às 21h; sexta, das 16h às 23h30; sábados e domingos, das 16h às 22h
Contato: 8543-4543

Total: R$ 49,75

Fonte - http://www.diariodepernambuco.com.br